Estava refletindo esses dias enquanto tomava café, “ como é incrível aprender algo novo”, não só aprender, mas estar aberto e disposto a realmente se deixar levar pela novidade, a encarar os desafios do desconhecido, superar obstáculos que antes pareciam intransponíveis, realmente falar para esse eu interior que sempre duvida das coisas, eu posso, eu vou. Um bom exemplo que podemos trazer para falarmos desse assunto é sobre aprender um instrumento na vida adulta, não sou um exemplo de causa sobre o assunto pois comecei muito pequeno na música, lembro dos primórdios, eu com 4 anos e meio iniciando minhas aulas de violino dentro do Método Suzuki lá em Tatuí, cidade pequena do interior de São Paulo.
Incrível lembrar do esforço e dedicação da minha família, principalmente minha mãe, ela que se desdobrava para me levar nas aulas e para ela mesma aprender um instrumento novo para estudar em casa comigo, pois sem o auxílio dos pais em criar um ambiente harmonioso de boa música e prática do instrumento a essência do método Suzuki não é atingida e esse tripé entre professor, pais e aluno não é eficaz.
Mas então como posso falar sobre a possibilidade de aprender um instrumento na vida adulta se comecei quando criança? Pela minha experiência como músico profissional e professor de violino dentro do método Suzuki. Desde jovem quis ser músico de profissão, fiz conservatório, faculdade de música, toquei em várias orquestras e dei aula em algumas escolas, hoje sou violinista na Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e Theatro São Pedro, além de ser professor no Centro Suzuki de Porto Alegre. Em todas as escolas que trabalhei meu foco sempre foi dar aulas para alunos adultos, não é por ter problema com crianças mas a identificação com o adulto para mim é instantânea, digo isso pois quando dou uma aula é como se eu mesmo estivesse estudando, pois ensinando também aprendemos, com isso o refinamento na prática do instrumento é compartilhada. Lembro que não foi um, nem dois os alunos que chegaram para mim depois de uma primeira aula de violino e falaram, “ nossa, achava que era mais difícil tocar violino” ou “pensava que nunca iria tocar uma música”, e sempre digo, o importante é ter duas virtudes em mente: Vontade e Constância, pensar que qualquer objetivo que você tiver você pode alcançar, mas é preciso vontade para vencer a inércia e estudar os exercícios ensinados em aula além da constância, ligada a repetição desses exercícios, pois só repetindo várias vezes eles se tornarão belos e naturais.
Não deixe que dificuldades ou frustrações passadas te tirem o ânimo de aprender um instrumento, se permita tentar, a música vale esse esforço.
Luiz Guilherme Nóbrega